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terça-feira, 20 de março de 2012

NOCIVO ROMANTISMO




Numa entrevista em que a Malu Mader  falava de seu relacionamento com o Tony Belotto, ela confessou que num primeiro momento, lamentou intimamente o fato dele já ter sido pai, porque queria ser a primeira mulher a lhe dar um filho. E completou: "Percebi como o romantismo, às vezes, pode ser nocivo."

Gosto de entrevistas. Quando o entrevistado não é um político que só sabe falar bem de si mesmo (porque eles estão SEMPRE em campanha, é impressionante) acaba revelando, em algum momento, seu lado humano. 

Nesse tempo de tantas exigências sociais, é um alívio perceber que sim, somos TODOS humanos (até os políticos, quem diria).

Mas voltando ao romantismo e aos tempos de romantismo, vivi muitas situações que me levam a concordar: sim, o romantismo pode ser nocivo.

Já lamentei o fato de meu (então) namorado ser pai. Também senti vontade de ser a primeira mulher a lhe dar um filho. (agora que sou mãe não consigo ver sentido nesse "desejo romântico")

Houve um tempo em que, quando eu conhecia um homem que julgava ser "o cara" (o homem da minha vida, já que é pra ser romântica) eu lamentava (intimamente, que fique bem claro) não ser mais virgem. Eu pensava "ah, que pena que não me guardei para esse `ser especial`...".

E já que estamos no túnel do tempo, lá pelos meus dezesseis anos, eu quase desejei viver no tempo da ditadura. Hoje morrer torturada nas mãos dos militares, ainda que por uma boa causa, não me parece uma boa idéia.

Por outro lado, devo ser justa e confessar que as paixões platônicas nunca me  seduziram, e  que, por mais que gostasse de ler, não consegui  terminar "Os sofrimentos do Jovem Werther", tampouco sentir compaixão, nem por um minuto, pelo personagem. Ainda acho difícil acreditar que o livro tenha levado jovens ao suicídio. OK, eram outros tempos. Mas também  não posso nem ouvir falar na "Saga Crepúsculo", muito menos entender como as adolescentes querem um namorado branquelo bebedor de sangue, a lhes salvar de problemas criados única e exclusivamente.... por ele.

Tudo bem. Talvez eu não seja romântica daquelas retardadas, que esperam a chegada do príncipe, de preferência num carro importado (afinal, já passei dos trinta, e faz tempo) Mas, ainda voltando ao passado, eu me pergunto: quando esse meu "romantismo" foi saudável, ou na melhor das hipóteses, construtivo?

Tive dois namorados poetas. Dos bons. Com o segundo, eu até me casei. Em ambos os casos, as lindas poesias não sobreviveram, literalmente, ao fim do relacionamento. No primeiro, foram rasgadas por mim. No segundo, rasgadas por ele. Não sobrou um poeminha sequer pra contar a história, ou as histórias.

Quero deixar bem claro que gosto de poesias. Elas me consolam, me alimentam, me salvam da minha própria mediocridade. A questão não é a poesia em si, mas o romantismo que procuramos nos relacionamentos amorosos. Muitas vezes nós, mulheres, procuramos "um homem romântico". Mas o que é um homem romântico, afinal?

O psicopata com quem eu me relacionei foi o mais romântico dos homens. Falava que me amava duzentas vezes por dia, em meio a lágrimas, emails e torpedos. Eu disse duzentas? Talvez quinhentas. Fazia tudo que eu queria na hora que eu queria. Não tinha vida própria. Eu sentia até culpa quando me sentia sufocada, tamanha devoção. Tudo fingimento, claro. Como é fácil conquistar uma mulher quando não se está apaixonado por ela. É só dizer tudo o que ela quer ouvir e fingir taquicardia quando a vir. Fica mais fácil se a "vítima" estiver vulnerável. E tiver tendências românticas.

E se a gente parar pra pensar em quantos relacionamentos destrutivos-complicados- inventados, só para  ocupar o tempo, escapar da rotina, fugir dos problemas ( fugir de um e arrumar mais dez, diga-se), quer cortar os pulsos. Melhor nem falar.
Os homens devem levar alguma vantagem nesse quesito, porque não inventam amores e dramas da mesma maneira que nós, mulheres. Eles são mais práticos. Que delícia, um homem prático. Que entende o mapa,  abastece o carro, reserva o hotel. Um homem que trabalha (só quem namorou um irresponsável vai entender o quanto isso é fundamental), que gosta de futebol, números e tecnologia. 

Talvez ele não diga "eu te amo" (se bem que às vezes NADA substitui um "eu te amo"),  mas traz chocolates quando você está na TPM, acerta o tamanho da lingerie, presta atenção no que você diz.
Ele não escreve poemas, mas está sempre presente, telefona, abre a porta do carro, faz gracinha pra sua filha, conversa com a sua mãe,  apresenta você aos amigos.

Um verdadeiro romance se constrói com atitudes, e de ambas as partes. Atenção, atitude, gentileza. Taí o verdadeiro romantismo. Ah, e flores, que sempre ajudam. 

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

ESPERANDO



Alguma coisa lhe dizia que valia a pena esperar por ele. Paciência nunca foi seu forte, mas ela seguiu esperando, sob o olhar reprovador dos incrédulos.

Às vezes ela se sentia tão idiota quanto uma mocinha da novela das nove. Aquela esperança, aquela ingenuidade patética que não combinava, absolutamente, com sua idade e experiência de vida. Afinal, essa espera se baseava em quê, exatamente? O que diferenciava esse homem dos últimos com os quais ela se relacionara?

Eram  homens interessantes, mas não estavam apaixonados por ela. Tratavam-a bem, o sexo era bom (às vezes muito bom), mas faltava envolvimento de ambas as partes. Parece até que estava combinado implicitamente: "Vamos até aqui. Dessa linha ninguém passa".

Mas ele, ELE....ela o considerou especial desde a primeira vez que o viu. E que trocaram poucas palavras. E que conversaram. E que conversaram muuuuuito. E que se beijaram. E que foram ao cinema. E que tomaram cerveja. E que .........  

Várias vezes ela se sentiu não correspondida. Várias vezes ela pensou em desistir, aliás, ela desistiu. Estava em vias de continuar aquela relação superficial. Aquela relação que lhe proporcionava uma segurança estranha, a de saber que nunca seria aprofundada. Basicamente, ela trocou o prazer de mergulhar fundo pela segurança de saber onde está pisando. Quem conhece os detalhes da história sabe que nela há um quê de sadomasoquismo. 

Mas ele, ELE,  voltou, e voltou diferente. Como ele mesmo disse, agora ele a vê. E  ao que tudo indica, ele gosta do que vê.

Ela não se cansa de olhar pra ele. E ele fala, fala, fala, e ela não pode deixar de pensar que poderia olha-lo por horas, e também ouvi-lo por horas, porque apenas o som da sua voz (que ela a-do-ra) é suficiente para despertar seus instintos mais primários, e enquanto ele fala e fala e fala ela pensa "como ele é bonito, como ele é bonito, como ele é bonito..."

Ela ainda estranha quando ele a elogia. Quando ele liga todos os dias (ou quase). Quando ele diz que tem saudades. Quando ele lhe dá um presente. Quando ele propôe um programa que sabe que ela quer fazer. Quando ele diz que quer vê-la.

Essa mudança a deixou mais tranquila e mais feliz. Já não é tão difícil recusar "propostas indecentes", porque agora ela quer mais que isso. Então vive um dia de cada vez e tem por filosofia nunca achar que o jogo está ganho. A gente ama hoje, amanhã quem sabe? Não sabe, não pode saber.

Mas ela leu esses dias uma reportagem na revista LOLA dizendo que a melhor maneira de fazer um relacionamento durar é não ficar pensando sobre ele. Pra ela, fez muito sentido. Porque não quer analisar, nem rotular, nem fazer altos planos. Só viver, estar presente, alerta. Um dia de cada vez. E que seja infinito enquanto dure.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

CONSULTÓRIO SENTIMENTAL



Encontrei hoje uma amiga que morou comigo em São Paulo nos tempos de faculdade. Desde aquela época ela era inteligente, linda e divertida, de modo que eu sempre me perguntei como podia estar solteira. (e quase sempre estava)

Quando quis saber sobre os "moços" (nunca resisto), ela me disse que estava quase partindo para o outro lado, tamanha a dificuldade em se relacionar com os homens. Eu, que nem sou assim tão boba, prontamente me candidatei. 

Sinto a mesma dificuldade (homens! como entendê-los?), mas não tive vontade de falar disso. Dessa vez, no lugar de encher o saco dos meus amigos (ou do meu irmão, a principal vítima) eu parti para a net, mais precisamente para o  consultório sentimental do Fabrício Carpinejar, que agora está no site http://www.superbem.com.br/ .

A idéia era apenas lembrar de que todos passamos por isso, sem exceção ( e ler textos divertidos e bem escritos, claro). Contos de fadas, só para a minha filha de seis anos e olhe lá.

Talvez essa preguiça de falar sobre o que incomoda numa relação seja o começo do fim, mas antes que comece a nóia "será que eu nunca vou encontrar alguém, etc, etc",  vou tratar de pensar nas férias, nos concursos, nas viagens, na família e em 2012, que tem tudo para ser melhor.

Férias, meu tema recorrente. Férias de expectativas, de paranóias, e se for o caso, férias de homens.

sábado, 1 de outubro de 2011

DEPOIS DAQUELA NOITE


Aquela noite ele estava especialmente bonito. Mais relaxado, mais descansado. "Entregue", talvez?
Aquela noite ele estava sereno, confiante, decidido. Será que eu posso dizer "feliz"?
Aquela noite não havia crise, pensamento, hesitação; havia desejo.
Aquela noite ele não tinha olheiras. Tinha um olhar que dizia: "Te quero".
Sim, era uma noite em que ele sabia bem o que queria, aliás, quem queria, e esse alguém era ela.
Foi então que aconteceu. E ela, que adora fazer o papel de mulher fatal, naquela noite foi apenas uma mulherzinha que adorou ser dominada, devorada, amada. Valeu a pena esperar, pensou.
Mas como nem tudo é perfeito, ele vem e vai; aproxima-se, afasta-se. Aproxima-se, afasta-se.
Quando ele está presente, ela usa vestidos longos, caminha descalça  sob o sol, numa praia imaginária, cabelos ao vento.
Quando ele falta, ela endurece e segue sozinha, ou nem tanto, porque veste preto, pinta a boca de vermelho e mira pra acertar. Acertar alguém que lhe dê aquele olhar "te quero", alguém que lhe tire a faca do peito ou simplesmente a faça parar de pensar se é hora de ir ou ficar, desencanar ou apostar, desistir ou confiar.
Ela sabe que amanhã vai ter que decidir: fazer as malas e ir? Ficar e esperar? Esperar até quando?
Amanhã ela decide. Hoje ela quer dar.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

EU NÃO ESTOU GRÁVIDA

Quando meu ex marido era meu namorado, ele tinha um amigo do qual eu não gostava. Eu não entendia a amizade deles, e tomava as dores do meu (então) namorado quando havia alguma divergência entre os dois.

No dia do meu casamento, esse amigo fez uma coisa que também não entendi, e eu escrevi um texto (bem malcriado) no meu antigo blog sobre isso. Depois me arrependi e tentei tirar o texto do ar, mas por um desses acasos que ninguém explica, minha internet deu pau e o texto permaneceu na net o suficiente para que o amigo, os amigos do amigo e a torcida do Corinthians lessem.

Em minha defesa, a única coisa que posso dizer é que estava grávida, e aproveito o momento para prestar aqui um serviço de utilidade pública: MULHERES GRÁVIDAS SÃO LOUCAS. É PRECISO QUE TODOS TENHAM PACIÊNCIA COM ESSAS VÍTIMAS DE HORMÔNIOS ASSASSINOS!

Dito isso, também devo admitir que meu orgulho não me deixou voltar atrás, e em razão desse orgulho tentei defender o maldito texto e seu humor negro. Eu e o amigo do meu (então) marido nos tornamos meio que inimigos declarados.

Não sei se por coragem ou covardia, o meu (ainda) marido ficou do meu lado; tentei esquecer o assunto. Mas eu sou o tipo de pessoa (orgulhosa e melindrosa) que não esquece e não  perdoa: nem aos outros, nem a si mesma.

Anos depois, fiquei sabendo que o amigo escrevera um livro. Na época eu estava me separando  e não dei muita bola para o assunto, não quis ler o livro quando meu  - então ex - marido me emprestou. Mas depois de um tempo, ao encontrar a obra na biblioteca, resolvi conferir.

Gostei muito, mas muito mesmo. Posso dizer que me apaixonei pelo livro e pela pessoa que escreveu aquilo. Aliás, quem era essa pessoa? Eu já não sabia.

O que fazer? Nada, a não ser tocar um tango argentino ? Não, eu também podia ser sincera. Pedir desculpas. Dizer que li o livro, que gostei.

Foi o que fiz. Foi um dos dias mais felizes da minha vida.

Lembrei desse episódio, ao ouvir hoje à noite, de uma amiga querida, depois de um dia beeem difícil: "Relativize as coisas,  relações são refeitas." RELAÇÕES SÃO REFEITAS.

Só que eu não estou grávida dessa vez.

sábado, 26 de março de 2011

NO MAN: BLOG EM CRISE EXISTENCIAL


Esse blog talvez esteja passando por certa "crise existencial".

Motivo: não tenho mais relacionamentos complicados sobre os quais escrever.

Simplesmente resolvi parar com esses rolos que não me levam a lugar algum.

Querem saber como eu me sinto? Escrevendo num sábado à noite sozinha?   De verdade mesmo?

De férias.

No começo (pra ser específica, na primeira semana) eu estranhei. Homens costumam ocupar boa parte dos meus pensamentos, e de repente esse espaço da minha mente ficou vazio. Então tratei de preenchê-lo com questões construtivas, do tipo "O que eu posso fazer para tornar minha vida melhor?"

Funcionou. Férias produtivas.

Sabe que cena de filme vem à minha mente agora?

Aquela primeira cena da "Rede Social", quando a namorada do protagonista termina com ele. Ela diz algo como: "Estou terminando com você, porque namorar você é exaustivo, é como namorar uma esteira ergométrica".

Acredite, não vale a pena. Mesmo que depois o cara invente o facebook e fique bilionário.

sábado, 19 de março de 2011

SEXO NÃO É TUDO





Uma amiga estava empolgada com o que ela chamava de “melhor beijo do mundo”. O cara beijava bem e era bem dotado, digamos assim. Até que, três semanas depois, quando perguntei sobre o cidadão, ela me respondeu com certa preguiça e certo cansaço (sabe quando, depois de pensar muito sobre um assunto você cansa porque não chegou a nenhuma resposta? E sabe quando, depois de tanto pensar, qualquer que seja a resposta, não faz a menor diferença? Pois é) Então, com cansaço e preguiça, ela me respondeu que sim, o sexo era bom, sim, o cara era inteligente, a fazia rir e coisa e tal, mas eles começaram a se estranhar. Estranhar como? Bom, ela desconfiava que ele era meio manipulador, queria estar sempre no comando, e como ela também não era fácil, eles estavam sempre discutindo por qualquer bobagem.

E ainda tinha a história da ex. Mas que ex? A ex namorada, que estava sempre sorrindo no mural da sala dele e de quem ele falava quinhentas vezes por dia. Eu disse quinhentas? Oitocentas vezes, por aí. Tá, ele e a ex eram “Best friends forever”, mas mesmo acreditando que seja só amizade...oitocentas vezes? Era chato. A minha amiga se encheu e deixou isso bem claro pra ele. Como o rapaz não só continuou falando da ex, como também não deu a mínima para o sentimento da minha amiga, ela desencanou.

Estou contando essa história porque ela reforça a minha teoria de que COMUNICAÇÃO é tudo num relacionamento, mesmo que ele seja um casinho sem importância. Mesmo que seja só sexo.

Há pouco tempo atrás, eu me envolvi com um homem comprometido (que namora há séculos) A relação (de pura atração física) acabou durando mais que o previsto porque ele sabia me ouvir. Se eu reclamava de alguma coisa, ele não só me ouvia, como tentava ajudar, pedia desculpas. Não sei se posso dizer que somos amigos, mas ele tem o meu respeito. Quando existe um certo cuidado entre as partes, a amizade prevalece. 

Meu primeiro namorado costumava dizer que sexo é cinqüenta por cento num relacionamento. Não sei. Eu diria que cinquenta por cento num relacionamento é comunicação. É tentar, é saber ouvir o parceiro. Se a comunicação entre o casal flui, se ambos se sentem de certa forma seguros, desejados, cuidados, a chance do sexo fluir (e ser bom) é grande. (OK, é preciso também da tal da química) Mas, ao contrário, o casal pode ter o melhor beijo, o melhor sexo, mas se um fala A e outro entende B, ou – pior – se um fala A e o outro não ouve, ou – pior ainda – ouve, mas não se importa – aí a coisa complica e não há performance sexual que segure a relação, porque em pouco tempo o casal vai querer se matar e o conexão entre os dois vai desaparecer .

A menos que estejamos falando de uma noite só, uma transa qualquer, aquela coisa de dar uma e querer sair correndo, é preciso saber ouvir. É preciso enxergar o outro. Se não for assim, qual o sentido? No final das contas, a (boa) comunicação é o que fica.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

MAIS UMA DA SÉRIE "DIÁLOGOS" ou CONVERSA COM O AMIGO GAY ou A NEURA NOSSA DE CADA DIA

- Quem é ele?
- Ele quem?
- Eu sei que você quer falar de alguém pra mim.
- Como assim, "sabe"?
- Eu te conheço.
- Eu te odeio.
-  Eu te amo mesmo assim. Começa pelo "pior".
- Pior ?
- Sempre tem o lado ruim.
 - OK. 27 anos.
 - Isso é ruim?
 - Novo, né?
 - Claro. Estamos falando de você. Você gosta de homens mais novos, eu já aceitei isso, você não? Que mais?
 - Carinha de 18.
 - Certeza? Você viu o RG dele?
 - Pára, que RG!
 - Tá. 27 com corpinho de 18, qual a tragédia?
 - E se eu parecer a mãe dele?
 - Bom, primeiro, você não VAI parecer a mãe dele. Segundo - e mais importante - você não É a mãe dele!

Eu amo meus amigos.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

A ARTE DA ACEITAÇÃO

A última vez que precisei de terapia foi quando meu último namoro longo (por longo entenda-se mais de dois anos) terminou. Recorri a uma terapia breve porque não conseguia virar a página. Logo eu, que faço jus a fama de "partir pra outra" rapidamente. No meio dessa terapia (que durou três meses) aconteceram duas coisas improváveis: 1. Voltei com o namorado; 2. Descobri que ele era um psicopata digno de filme de terror.

A parte mais difícil dessa história foi entender "o que" ele era e "porque" tinha agido como agiu. Para aceitar seu comportamento, precisei estudar o perfil de um psicopata e enquadrá-lo, da mesma forma que se faz com um fato criminoso: se o fato é "tipico", isto é, se se enquadra no tipo penal, é enquadrado como crime. (e aí fica-se  feliz, com um alívio momentâneo, da mesma forma que acontece quando se coloca uma coisa no seu devido lugar ou se encontra a resposta certa para a palavra cruzada)

Mas voltando: numa das seções, enquanto eu compartilhava meu "estudo" e minha "conclusão" com a terapeuta, ela me disse: "Você está fazendo tudo isso para aceitar os fatos, aceitar a situação, não é? Então porque você não aceita direto, mesmo sem entender? O importante é que você aceite o que aconteceu."

"Como se fosse fácil", pensei. Mas esse dia essa mulher me deu uma das maiores lições da minha vida: a lição da aceitação, tão apregoada pelas religiões.

Aliás, foi muito interessante ouvir isso de uma psicóloga, uma profissional que usa a razão, porque ela me disse a mesma coisa que me dizem meus mestres, e me diz a minha religião: aceite o que a vida lhe oferece, de bom e de ruim.

OSHO, com quem eu tenho um caso de paixão e devoção (e sempre consegue me emocionar) diz: "A celebração é incondicional; eu celebro a vida. Ela traz infelicidade, ótimo, eu a celebro. Ela traz felicidade, ótimo, eu a celebro. A  celebração é minha atitude, não condicionada àquilo que a vida traz"

Quem ler esse texto pode pensar que talvez eu esteja passando por uma situação dificil nesse exato momento, ou de difícil aceitação. Mas posso assegurar que não: o que acontece (e que me fez lembrar disso tudo) é que esse "princípio da aceitação" pode (e deve) ser aplicado nas pequenas coisas dessa vida também. Pequenas coisas que costumam sugar nosso tempo e energia desnecessariamente.

Por exemplo, aquele cara tão gracinha diz que vai ligar e não liga. Diz que adorou você e  sua atitude não convencional, quer te agarrar e blábláblá. Você acha lindo e acredita, só que ele não liga. E aí? Adianta você gastar seu tempo e energia se perguntando por que diabos ele não ligou? Se ele conheceu outra pessoa, se assustou com seus escritos ou falou coisas só pra te agradar, que diferença faz? Seja qual for o motivo, ele não ligou. Ele não está interessado o suficiente. E é só isso que você precisa aceitar. E (só) isso deve ser o suficiente para você desencanar.    

Nunca vou me esquecer: num momento em que eu era "a gostosa" da turma, me apaixonei por um nerd. Como  ele não quis namorar comigo, conclui que tinha medo de se envolver. Que pretensão a minha! De onde eu tirei essa conclusão? Só  porque EM TESE, naquele momento,  eu fazia mais sucesso com o sexo oposto do que ele, ele tinha que estar interessado em mim? Ele não estava a fim de mim e ponto final. É preciso aceitar. É bem simples. E também não é o fim do mundo. É como eu já disse por aqui: a vida pode ser bem simples e bem boa. É só a gente querer. E aceitar o que ela trouxer, claro.   

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

PROCURA-SE UMA RELAÇÃO SAUDÁVEL



Na verdade uma relação saudável não se procura, se acha. Uma relação saudável a gente encontra, ou melhor, a gente atrai, a partir do próprio equilíbrio interior.

Mas o que a gente tem mania de procurar muitas vezes, sabe-se lá por que, é encrenca, sarna pra se coçar, emoções fortes, muitas vezes destrutivas. E quem procura........Mas por que agimos assim, hein?

Será que não dá pra pular de pára quedas, bung jump, mudar a decoração da casa, pintar o cabelo de vermelho, ir pro Hopi Hari? Melhor, será que não basta freqüentar o Centro Espírita, curtir as festinhas infantis e as descobertas da filha, jogar capoeira, fazer o trabalho direitinho, vencer o medo de dirigir, fazer aquela viagem? Mas não, tem que sair com homem comprometido, ciumento demais ou psicopata. Fortes emoções.

Há algum tempo me dei conta, e já escrevi por aqui: ando mais feliz. Avaliando minha trajetória, penso que, depois de poucas e boas que vivi (procurei e achei, certo? ) cansada de tanto drama e miséria emocional, acabei encontrando um certo nível de contentamento interior que faço de tudo pra manter.


Mas de verdade eu penso que serei bem mais feliz quando conseguir dar menos importância às relações amorosas e suas implicações (temo que isso só aconteça por volta dos meus setenta anos)

Porque romance, sexo e jogo de sedução podem até ser das melhores coisas da vida, mas consomem muita energia. E quando a gente sai do eixo e por qualquer bobagem cai no desequilíbrio, sempre se pergunta: vale a pena?


Será que não dá pra ter um pouco de equilíbrio nesse troço, peloamordedeus? Um encontro leve entre duas pessoas que estão apenas se conhecendo? Ué, se não combinar vai ficar a tentativa, as boas lembranças e quem sabe a amizade.  

E aí a gente vai poder rir muito do drama que fez.


sábado, 22 de janeiro de 2011

Quando ela não está a fim de você

Quando ele passou a mão pela minha cintura, minha repulsa foi tão grande que lembrei de uma amiga que disse ter virado garota de programa. Não sei se tudo que ela me contou é verdade (ter no histórico um namorado psicopata faz você duvidar de todas as histórias estranhas que ouve), e também não fico pensando sobre isso. Mas quem diz que essa vida é fácil nunca deve ter sofrido uma investida de alguém asqueroso.

Eu o conheci através de amigos. Naquele dia todos rimos, demos risadas. Normal. Mas na boa: nada a ver, nada a ver.

Parênteses: Um homem não precisa ser especialmente bonito, mas tem que ser atraente aos olhos da mulher.  É um conjunto de fatores que não dá pra explicar: o jeito dele olhar, de falar, de fazê-la rir. E a pele, que no quesito atração é o mais importante, essa combina ou não combina. Não tem meio termo e não tem explicação. E pior, não dá pra saber sem experimentar. Você pode ter um palpite, apostar suas fichas, mas não é garantido. Às vezes o cara é lindo, mas não rola, não combina. Pode acontecer também o contrário: aquele outro nem é seu tipo, mas fala no seu ouvido, você se derrete; pega na sua cintura, você oferece o pescoço. Olhando uma foto, você diria "não", mas se ele chega perto, você se abre toda e dá o que ele quer, na hora que ele quer.

Mas voltando: não era o caso desse meu "amigo". Eu preferia morrer virgem, se virgem fosse, a dar pra ele, e pensei ter deixado isso bem claro (não nessas palavras, óbvio)

Mesmo assim ele insistia pra sair comigo.

Mais um parênteses: Eu ainda acho a insistência um bom caminho para conquistar uma mulher: a convicção(e o desejo) dele podem despertar o desejo dela. Agora, esse homem deve ficar atento aos sinais que ela envia, pois esses (sinais) podem ser bastante claros: se ela evita contato corporal, se desvia os olhos (principalmente quando ele lança aquele olhar de "ainda te como" pra ela), se parece entediada, se não presta atenção no que ele diz .....nesse caso a insistência dele só vai piorar as coisas.   

Aliás, insistir é o pior que ele pode fazer, porque caso só comprova que ele na verdade não está prestando atenção nela (que é o maior erro que um homem pode cometer nesse jogo de conquista, certo?)

Mas então, a catástrofe foi mais ou menos assim:

- Vamos lá, só uma cerveja.
- Vai ter mais gente lá?
- Vai, todo mundo. Vamos?
- Você não vai dar em cima de mim.
- Não.
- A gente combinou.
- Você não confia em mim?
- Você é insistente!
- Eu prometo.
- Promete?
- Prometo.
- Então tá.

Mas foi só entrar no carro que ele já pediu um beijo. Beijo, mas que beijo? Que que eu tô fazendo aqui?
Passou o tempo todo (apesar dos meus olhares gélidos) tentando me tocar e lançando um olhar que julgava sedutor. Como eu não quis voltar com ele, na hora da despedida fez questão de me encoxar, já sabendo que isso era tudo que iria conseguir.

Eu não mereço.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

CAFÉ COM AMIGA

No nosso café de sempre, falamos sem parar por mais de duas horas: sobre meu novo emprego, sobre o (para nós sombrio) mundo jurídico, sobre moda, sobre planos para 2011, sobre viagens, sobre minha filha, sobre os sobrinhos dela, sobre o meu ex ficante, sobre o namorado dela, sobre casos antigos, sobre o modelo rastafári maravilhoso da mesa do lado.

Mulheres precisam falar. E algumas coisas a gente só pode falar pra amiga. Por exemplo, falar mal do ficante/namorado/marido. Faz parte. É desleal ? Não necessariamente. Ás vezes é melhor (ou necessário) desabafar. Aliás, por que quando a gente namora deixa de encontrar as amigas, hein ? Com isso acabamos carentes e sobrecarregamos nossos parceiros. Eles não deixam a cerveja e o futebol. E estão certos, viu ? Erradas somos nós. Por que temos que colocá-los sempre a frente de tudo ? Ai, como é difícil encontrar esse tal de equilíbrio nas relações.

No momento essa minha amiga namora e eu não; decidimos nos encontrar mais vezes. E quero manter a promessa quando começar a namorar. (sim, eu também faço essa besteira de negligenciar as minhas amigas quando estou comprometida)

Mas enfim,  essa conversa me fez perceber que é mais inteligente da minha parte aproveitar a minha solteirice, e não ficar me preocupando em ter um relacionamento.

Foi ótimo, porque enquanto eu lembrava da parte boa de namorar (já faz tempo, e estou sentindo falta), ela me lembrava da parte ruim e me contava todas as brigas que teve com o namorado nas última semanas. Amiga é pra essas coisas.

Então comecei a pensar em tudo que posso (e quero) fazer enquanto estou solteira, a começar pelas viagens: quero viajar sozinha, quero viajar com minha filha, quero viajar com minhas amigas, quero viajar pra encontrar aquele caso antigo.

No fim das contas, acredito que a única coisa que posso fazer em relação ao meu futuro é viver bem o meu presente. E quando eu estiver vivendo (e muito bem) a minha vida de solteira e menos esperar, alguém especial vai aparecer.

E vai ser bom demais. 

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

E POR FALAR EM AMOR...

Ela nunca vai esquecer daquele dia que acordou chorando. Era um choro tão sofrido - parecia que alguém tinha morrido. Ela chorava, chorava, e não sabia por quê. Então chorou até se acabar e os olhos virarem duas bolas vermelhas inchadas. Chegou a perder as lentes de contato. E só depois descobriu o motivo: o amor tinha acabado. 

Como assim, estava tudo tão bem, ele era tudo que ela queria.. (até hoje procura alguém que desperte nela o que ele despertou, mas esse é outro texto) E de repente...Será que foi de repente ? Como ela pôde ignorar - ou não perceber - que o amor estava indo embora ? Será que havia meio de trazê-lo de volta ? Será ? Será ?

Não sabia, e não sabe até hoje. Só sabe que naquele dia acordou, e o amor não estava mais lá. Como pode ?

Quinze anos depois, ela  ainda não entende. Como queria que alguém sentasse ao seu lado e explicasse: Por que amamos quem amamos ? Por que continuamos amando ?  Por que às vezes o amor acaba ?

Isso é mais misterioso do que a morte. 





sábado, 18 de dezembro de 2010

"Aquela viagem" ou "Como me apaixonei por um adolescente"

Há alguns anos, tive a oportunidade de ir para os Estados Unidos com uma turma de adolescentes. Foi assim: minha tia, que tem uma escola bilíngue em Recife, levava os alunos que estavam se formando (na época era oitava série, e agora ?) para passar três meses estudando numa escola de lá. Iam os que queriam e podiam pagar, claro. Nesse período eles estudavam numa escola regular, com estudantes americanos.  Um verdadeiro intercâmbio cultural.



Na época eu tinha vinte e cinco anos, dez a mais que eles, e quando minha tia me chamou para ir junto, não pude deixar de pensar: teria eu paciência para conviver com adolescentes (afinal, íamos morar todos na mesma casa). Mas além dessa minha tia ser a melhor pessoa do mundo para se conviver, ficaríamos todos na casa do meu primo (filho dela) e sua esposa na época, e eu era (aliás, sou) apaixonada pelo casal. Sem contar que eu sempre quis conhecer os Estados Unidos, amo viajar e o dólar estava a R$ 1,25. Então, depois de cinco minutos de hesitação, providenciei a papelada e paguei minha passagem à vista. Lembro da funcionária do banco ter me ligado: era pra descontar aquele valor do cheque mesmo ? Era.


Tive que ir sozinha e voltar sozinha, já que só dispunha de um mês de férias e eles já estavam lá, mas isso não foi nenhum problema: fiquei a viagem inteira conversando ( e dividindo a minha ansiedade) com uma passageira que já conhecia a Disney (é, o destino era a Flórida, mas especificamente San Petesburg) e fez questão de me dar todas as dicas. 


Naquela época eu estava sem namorado e  - o melhor - sem nenhuma pressa em arrumar um. E essa viagem era perfeita: ia para um lugar que não conhecia, mas sem essa coisa de pacote turístico, que não é a minha praia; estaria com a minha família, mas também conheceria gente nova (ainda que adolescentes) e  - talvez o mais importante - não faria apenas programas turísticos, conheceria um pouco da rotina da cidade.


Pra mim, conhecer uma cidade, seja Praia Grande ou Paris (que aliás, ainda não conheço) é (também) ir ao supermercado (adoro), à feira (adoro) e conversar com os moradores (a-do-ro). É claro que gosto de conhecer pontos turísticos, mas sendo bem sincera: nem todos, e nem o tempo todo. Sempre achei que a melhor parte da viagem é poder observar (e conhecer) as pessoas e os costumes locais, mas para isso é preciso tempo livre. Nada de tudo programado.


Mas voltando: cheguei e passei a fazer parte da rotina (movimentada) deles. Era assim: ia com Patrick e Elisabeth (o casal) levar  e buscar os meninos, e enquanto eles estudavam eu ia fazer o meu reconhecimento local (com Tia Lígia ou sozinha.)


Quase todos os dias íamos às compras, e frequentemente nos separávamos: fazer compras sozinha, sem nenhuma pressa e com dinheiro pra gastar, é apenas a melhor coisa do mundo. E não era aquela coisa de turista desvairada: dava pra conhecer bem as lojas e escolher tudo com calma. E o melhor: se você quisesse devolver a mercadoria, eles devolviam o dinheiro, sem questionar.
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Á noite íamos todos jantar, cada um contando como foi seu dia; íamos também (o paraíso) conhecer os Parques da Disney à noite e nos finais de semana. 


Ah, os adolescentes: eram nove -  sete meninos e duas meninas. Alguns mimados e reclamões, mas no final gostei (e me aproximei) de todos.  Era uma delícia acompanhar  (e conhecer) suas inseguranças, descobertas, temperamentos. Patrick, Elisabeth e eu tínhamos a mesma idade; dávamos boas risadas com as situações inusitadas que surgiam, e nos aproximamos muito nessa viagem. Foi Elisabeth a primeira pessoa a me falar de John Gray, o autor de "Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus". Os dois me falavam sobre a vida de casados, e se interessavam pela minha vida de solteira.


Eu podia acabar a história aqui, mas o melhor vem agora: um dos meninos me encantou. Ele parecia mais velho, tipo uns dezoito anos: moreno, de olhos apertados, cabelo bem curto e corpo perfeito, com abdomem tanquinho.  E o melhor era seu jeito de ser: ele não tinha consciência do quanto era gostoso; além de viril, era educado, divertido e, ao contrário dos outros, bem fácil de conviver. Mas como ninguém é perfeito, tinha orelhas de abano, que lhe renderam o apelido de "Dumbo". Não era nada demais, fazia parte do charme. Assim que percebi minha atração por ele, comecei a reprimi-la (afinal, ele tinha quinze anos !!!) Resultado: sonhava todas as noites com uma amiga minha  - mais liberada, digamos assim - o beijando na minha frente. 



Um dia, num dos parques da Disney, vi um Dumbo de pelúcia e não resisti: comprei pra ele. Nem me ocorreu que ele pudesse se ofender. Mas ele não só gostou, como no dia seguinte retribuiu, me dando um ursinho lindo que - acredite se quiser - tenho até hoje.


Na minha última noite lá, levamos os meninos para uma espécie de balada. Enquanto eles ficaram numa espécie de "boate para menores" (Fiquei chocada com a esfregação explícita que rolava entre os americanos) ,fomos eu, Patrick, Elisabeth tomar cerveja num barzinho ao lado.



Depois de um tempo, Dumbo abandonou o grupo e sentou do meu lado, em silêncio. Ficamos os quatro conversando até a hora de ir embora, eu toda orgulhosa dele ter trocado as menininhas pela nossa (ou minha?) companhia.



Não lembro como começou, nem quem tomou a inicitativa; só sei que em casa, depois que todos dormiram, nos beijamos. E antes que me atirem pedras: foram apenas beijos inocentes. Mas tão bons, que, três anos depois - ele com dezoito e eu com vinte e oito - nos encontramos e completamos o serviço.



No motel, entre as opções de divertimento (lingerie e brinquedos eróticos) havia também um ursinho rosa (nunca tinha visto urso em motel), que ele me deu na hora de ir embora, e que eu também teria até hoje, não fosse por um descuido. 



Perdemos o contato, mas fico a pensar que alguns homens parecem nascer sabendo do mais difícil: como conquistar uma mulher. É preciso que ela se sinta desejada, mas ao mesmo tempo amparada. Poucos homens percebem que ela PRECISA ser paparicada, PRECISA se sentir especial. Quando encontramos um homem assim, vale a pena controlar a vontade de pular no pescoço dele e deixá-lo tomar a iniciativa. Deixá-lo pensar que foi ELE quem nos conquistou, e não o contrário. Pensando bem, foi assim mesmo que aconteceu.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

CHORAR FAZ BEM

A Patrícia era minha depiladora: ela me deixava à vontade para depilar partes (mais que) íntimas, fazia a melhor sobrancelha do mundo (até hoje não encontrei quem faça igual) e sempre me recebia com um sorriso, mesmo quando eu chegava esbaforida e estressada, com horário apertado.
Bonita do alto de seus vinte e poucos anos, com cabelo escuro e ondulado, ela era discreta e levemente tímida, ao contrário das outras mulheres que trabalhavam no salão. Mesmo assim nossas conversas eram inevitáveis e o papo rolava solto entre cera quente e posições esdrúxulas. Como quase sempre acontece entre as mulheres, sejam casadas (seu caso) ou solteiras (meu caso), falávamos sobre relacionamentos.
- E aí, ele te ligou ? (...)
- Então você está namorando o arquiteto ? (...)
- Há quanto tempo você é casada ?
Nesse dia, ela desatou a chorar. Eu disse chorar ? Ela começou a soluçar.
- Você está bem ?
- Ah, me desculpe !
- Mas o que aconteceu ?
- Meu marido terminou comigo – e chorava.
- Mas por que ?
Ela mal conseguia falar de tanto chorar. E se desculpava:
- Que vergonha, me desculpe. Ele disse que não quer continuar, não sabe se ainda gosta de mim.
- Olha, fica calma. Quer um copo de água ?
- Obrigada. Mas que vexame, você é minha cliente, me servindo. Estou trabalhando. Desculpe. E chorava.
O que me constrangia não era o fato dela chorar, mas de se desculpar a todo instante.
Como é difícil chorar, ainda mais na frente de alguém. Eu mesma, me sinto tão desconfortável, que tenho uma técnica: tento sorrir com os lábios (mas meus olhos me traem) e pensar em qualquer outra coisa até que a pessoa desapareça da minha frente, para que eu possa chorar, e soluçar bem alto, se for o caso.
Não sei o final da história, mas minha vontade aquele dia era dizer “Pode chorar, não tem problema nenhum. Chorar faz bem”. Aliás, eu disse, mas ela continuou se desculpando.
Fico a pensar como é feliz aquele que tem uma pessoa (só uma) para quem pode ligar numa situação dessas e dizer um “Você pode vir aqui ?”
Esse "Você pode vir aqui" significa “Vem aqui agora, pelo amor de Deus, que estou me sentindo a última pessoa do universo, e preciso que você me ajude a colocar isso pra fora” . Significa também "Eu preciso de você, e sei que você não vai me julgar uma idiota sentimentalóide. Também não vai se aproveitar da minha vulnerabilidade. Eu confio em você".
E quando esse alguém chegar, poder chorar bem alto, afundada no seu ombro, sem ter que pedir desculpas por isso.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

BONS FINAIS GERAM BONS COMEÇOS
















Enquanto procurava a lingerie (vermelha) no meio da bagunça (cuidadosamente, para não acordá-lo), uma frase não saía da sua cabeça: "Bons finais geram bons começos".

Então ela se vestiu, pegou a bolsa e saiu de fininho, sem bater a porta.

Estava na hora de ir.

domingo, 5 de dezembro de 2010

DOMINGO (QUASE) PERFEITO


Ela acordou triste, de ressaca (emocional), depois de fazer um drama daqueles. No dia anterior tinha dado tudo errado e acabado o que mal tinha começado. (a rima não foi de própósito, mas deixa)
E aí ? Domingo (lindo) de sol, ia ficar em casa, chorando de saudades da filha, fuçando a vida dele na internet ?
Bom, era isso ou ...rua. Então, rua. Se agora por questões de horário, capoeira só de domingo, que seja, vamos lá, tudo de novo: enfrentar a timidez, olhares curiosos, o medo de errar.
"Pode assistir a aula" ?
"Não pode".
"Não" ?
"Assistir não, pode fazer". - e ele riu.
Pânico. (Me deu vontade de chorar, acredita? Nem eu.)
Mas começou devagar:
"Vem cá"
"Bate palma na roda"
"Faz esse exercício"
"Faz com ela"
"Faz com ele"
"Faz comigo"
"Isso, assim está bom"
E roda, e festa, e convite pra churrasco.
Nem doeu. Ela gostou do mestre ? Gostou. Da galera ? Também. Curtiu o lugar ? Curtiu. Conseguiu fazer a aula ? Conseguiu. O mais importante: Saiu feliz ? Saiu.
Parou na banca, comprou uma cerveja e meia dúzia de revistas. Há quanto tempo não tinha um domingo inteiro para si, sem compromisso nenhum ? Agora podia chegar da rua suando em bicas e se jogar direto na piscina (foi o que fez) ,sem se preocupar com almoço, filtro solar, bóia, chapéu, brinquedo e principalmente: sem brincar de Princesas do Mar ! (Que a filha não a ouça, mas ela não curte nem Ester, nem Polvina, nem Tubarina. Quem já assistiu esse desenho sabe do que ela está falando.)
Mas enfim: depois de torrar no sol e bater papo com os vizinhos, ela chega em casa, come qualquer coisa e pensa que ter um domingo inteiro para chamar de seu DE VEZ EM QUANDO pode ser bem bom. (ainda mais sabendo que daqui a pouco estão todos de volta)
É claro que se depois de tudo isso ela pudesse mostrar pra ele a marquinha de biquíni seria perfeito, mas fazer o quê ? Sente falta de estar com ele e de pensar nele, porque só pensar já era quase tão bom quanto estar, acredita ? Mas não dá, imagine: Braços, sorriso, tatuagem... Braços, sorriso, tatuagem, sussurros, gemidos, boca, molhado...Eu quero, não dá. Pensar nesse caso é masoquismo, então a gente evita. Mas que era bom, ah isso era.

sábado, 4 de dezembro de 2010

MAIS UM PRA VOCÊ


Eu não sei se são seus traços, seus braços

A boca, o sorriso

Seu jeito de ser , de viver

De me olhar, de me pegar

...

Seja o que for,

você me fez perceber :

Talvez eu esteja pronta pra me entregar (por inteiro)

Pra me envolver com alguém disponível

...

Quem diria, ver isso assim, quase sem querer

Mas a vida é assim mesmo,

Nem sempre pagar pra ver

...


Não quero mudar a sua história

Desculpa mesmo, acho que deu a minha hora

..


Não estava nos meus planos me apaixonar

Mas quase sempre é assim,

Sentimentos não escolhem hora nem lugar

...

Sabe, eu banco a mulher fatal

Mas na verdade sou uma menina frágil

e sentimental

...

Mas é como eu disse:

Foi importante pra mim

Garanto que nossa amizade

não vai ter fim

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O MAIOR DOS LUXOS


Ele me colocou num pedestal e lutou pra me alcançar.
Fez de tudo pra me conquistar.

Prometeu mundos e fundos, tentou me comprar.
Eram flores, ingressos, viagens, presentes.

Bem que tentamos brincar de casinha.
Arriscamos planos e umas viagenzinhas.

Mas o que era aquilo, enfim ?
Sexo disfarçado de amor ?
Simbiose, paixão, ilusão, utopia ?

Eu não entendia.
Como podia estar sozinha, carente
ao lado de um homem tão decente?
Bonito, respeitado, apaixonado ?

Demorei pra perceber que ele era autoritário.

Apaixonado por quem, se ele não me percebia ?
Nessa "viagem" eu não existia, só a imagem que ele fazia

Ele me gostava de branco, eu uso preto
Me desejava pálida, gosto de sol
Me queria sempre doce, meiga e delicada, princesa plácida

Mas eu enfureço como as ondas, dou samba, falo palavrão
Sofro de sinceridade crônica e faço o que quero: a conta chega, eu pago o preço.

É, eu sei que ele parecia perfeito me cobrindo de presentes , causando inveja às desatentas
(pois quem prestasse atenção, veria: era tudo onde, quando e como ele queria)
Então ele dava, mas eu não recebia

Na verdade eu sou fácil, tão fácil de agradar
Mas pra isso é preciso me enxergar
Saber que gosto de cores, vou atrás de sabores
Mas rejeito receitas prontas, gosto de me aventurar

Não é preciso entender (nem mesmo saber)
das minhas taras, das minhas fraquezas
Mas essa coisa de me por em qualquer lugar
Jogar num altar e depois tirar
Francamente, não dá

Mas será que não dava pra contemporizar ?
Negociar, ceder aqui e acolá ?
Só que o negócio dele era manipular, dominar. Ganhar.

E como eu também não sou assim tão fácil de lidar, vamos combinar
E pra eu ser feliz basta uma voltinha, um blog, uma roda de capoeira, uma poesia
Fiz minha mala e fui viver o maior dos luxos: a liberdade de ser euzinha.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

PARA COMER UMA MULHER


Em primeiro lugar , vamos supor que você seja comprometido e queira ter relações sexuais com outra mulher.

É claro que isso não costuma acontecer, estamos apenas imaginando.

Primeira dica : NUNCA, eu disse NUNCA, fale da sua digníssima esposa/namorada/ficante - ou o que quer que a sua oficial seja - para o seu objeto de desejo. Veja bem, estou presumindo que a outra sabe que você é comprometido e aceita a situação.

Por que você vai falar da oficial pra ela ? Pra provocar o quê ?
a. ciúme ?
b. insegurança ?
c. crise de consciência ?
d. t.a.a. ?

Em qualquer das hipóteses o seu sonho de consumo vai broxar e você vai ficar na mão, literalmente.

Não há tesão que resista a observações do tipo "Ontem eu levei minha namorada pra jantar e depois fomos a um motel" ou "Não sei o que comprar pra minha esposa de presente de aniversário"

E francamente: se vocês são tão íntimos a ponto de contarem tudo um pro outro vão transar pra quê, pra comprometer a amizade ?

Guarde os detalhes da sua vida amorosa só para você.

Agora, para comprometidos ou desimpedidos:

A segunda dica é a mais importante de todas: OUÇA !!!

Se você quer comer uma mulher e gosta de ouvir o que ela tem a dizer, a sua vida vai ficar muito mais fácil.

Mulheres precisam, eu disse PRECISAM ser ouvidas, e quanto mais estressada ela estiver, mais precisará de alguém que a ouça com atenção.

Os homens sensíveis sabem - e os cafajestes também - que a medida que uma mulher é ouvida, ela se abre, em todos os sentidos. Ela se sente amparada, acalentada, segura e vai acabar dando tudo o que você quiser.

Dica número três: ELOGIE !!!!

Mulher é insegura e vaidosa nessa ordem, então, elogie suas roupas, repare no seu cabelo, diga que ela é gostosa e NUNCA, eu disse NUNCA insinue que ela poderia ser mais magra.

Dica número quatro: INSISTA !!

Quantos homens você conhece que são feios que dói, mas pegam todas ?
Elementar, meu caro: eles são brasileiros e não desistem nunca. Sabem que as mulheres são cíclicas e vítimas de hormônios assassinos, que podem deixá-las ninfomaníacas no período fértil e frágeis e carentes na TPM. Nos dois casos, elas são presas fáceis.

Já ia me esquecendo: NUNCA fale que outra mulher é gostosa, nem que ela seja a Angelina Jolie.

Mais uma vez : NUNCA FALE QUE OUTRA MULHER É GOSTOSA PRA ELA !

Acho que é só.

Agradecimentos depois.